{Resenha} Antes da Queda

by - 09:47

Olá, pessoas!
Aproveitando o dia? Aproveite mais um pouquinho lendo essa resenha!
Título: Antes da Queda
Autor: Noah Hawley.
Gênero: Ficção.
Editora: Intrínseca
Ano de lançamento: 2017
Número de páginas: 244
Nota: 5/5
Sinopse:
Em uma noite quente e nebulosa, onze passageiros decolam em um jatinho particular da ilha de Matha´s Vineyard em direção a Nova York. Porém, dezoito minutos depois, o imponderável acontece: a aeronave despenca no oceano. Os únicos sobreviventes são Scott Burroughs, um pintor desconhecido e fracassado, e J.J, um menino de quatro anos, filho de um magnata milionário do ramo das telecomunicações.
A riqueza e o poder de parte dos passageiros despertam as teorias mais variadas sobre a queda: tantas pessoas influentes teriam morrido em um acidente por mero acaso? Ou teria sido vingança, terrorismo, queima de arquivo? Com capítulos alternando entre os acontecimentos subsequentes à queda e o passado dos passageiros e integrantes da tripulação, o mistério que cerca a tragédia se torna cada vez maior, enquanto as tramas dos personagens se desenrolam, estranhas coincidências apontam para uma conspiração.
Noah Hawley. Quando peguei o livro achei o nome do autor muito familiar e resolvi pesquisar um pouco sobre ele. Minha suspeita tinha fundamento. O cara tem nome em Hollywood. Foi roteirista e produtor da série Bones, de Fargo e da mais recente Legion. Pelo menos uma delas você deve conhecer.
O livro alterna o ponto de vista entre o presente e o passado, como está na sinopse, o que apenas levanta questões como: O avião realmente caiu ou foi derrubado? Foi impossível não lembrar do avião de um certo ministro brasileiro caindo.
A narrativa é muito visual. Nas primeiras linhas pode incomodar um pouco, mas o autor sabia o que estava fazendo, porque já nas primeiras páginas fez os acontecimentos roubarem completamente minha atenção.
Primeiro temos o desespero de Scott ao acordar em um avião caído no mar congelante. A noite. Sem ter certeza se o socorro chegará a tempo. Desesperador, não? Fica ainda pior. No meio da escuridão ele escuta o choro de uma criança presa na poltrona. Scott então ganha forças extras para se manter vivo, pois o garoto depende dele.
Cada acontecimento mínimo nos arrasta junto dos personagens, principalmente quando Scott, com o braço machucado, nada por horas trazendo J.J nas costas.

“ELE EMERGE DA água, gritando. É noite. A água salgada faz seus olhos arderem. O calor queimaseus pulmões. Não há lua, só um luar diluído através da névoa espessa, ondas se revirando em um azul-escuro à sua frente. À sua volta, chamas alaranjadas sombrias lambem a espuma.
A água está pegando fogo, pensa ele, afastando-se instintivamente.”

Mas quando ele chega em terra firme, percebemos que o cinismo das pessoas que tem algo a ganhar com o acidente é mais letal que o acidente em si.
Primeiro temos a tia do J.J, o garoto sobrevivente. Ela é um amor de pessoa, mas é casada com um sujeito que me lembrou aqueles personagens de desenhos animados. Sabe quando salta o $ de dinheiro nos olhares deles? Pois então, o pai de J.J era dono de um canal de televisão e agora o garoto de apenas quatro anos receberá a herança de pelo menos 300 milhões de dólares.
E nesse mesmo canal de televisão temos Bill Cunningham, o personagem mais odiável do livro. Ele é um jornalista sensacionalista que, infelizmente, lembra demais certos programas brasileiros que amam fazer cobertura exagerada de tragédias. Chora na frente das câmeras, dizendo estar sofrendo com a cobertura do acidente, mas por trás delas age como um verdadeiro abutre – tampouco para de falar do caso.
“— Estão chamando de acidente — anuncia Bill Cunningham da maior caixa da tela. É um homem alto, com um penteado impactante, mexendo nos suspensórios. — Mas você e eu sabemos... Não existem acidentes. Aviões não caem do céu, assim como nosso presidente não esqueceu que o Congresso estava de férias quando nomeou aquele idiota do Rodriguez para o cargo de juiz.
Cunningham tem os olhos inchados, a gravata torta. Ele está no ar há nove horas, noticiando um obituário elogioso ao chefe morto.”

O livro nos apresenta o lado sujo da TV e sua capacidade de influenciar a opinião popular. Vejo facilmente virando um filme e, se for levar em consideração o nome do autor, provavelmente
irá mesmo. Apesar de pecar um pouco no final, não no contexto geral não decepciona. É satisfação na certa.
Recomendo o livro para leitores em geral. Eu não gosto desse tipo de livro, mas quem diria? Li em menos de um dia!


Espero que tenham gostado da resenha. Boa leitura a todos! Beijos!

Postado por: Yanna de Souza

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