Resenha: A Mulher Silenciosa

22:47


Páginas:
254
Editora: Intrínseca

Sinopse:
Jodi e Todd estão juntos há 20 anos e, aparentemente, levam uma vida invejável. Todd é um empreiteiro bem-sucedido que pode bancar alguns luxos, como o enorme apartamento com uma vista deslumbrante para o lago, um Porsche (dele) e um Audi (dela) na garagem, e o estilo de vida de Jodi. Psicoterapeuta, ela atende em casa apenas dois clientes por dia, e tem tempo de sobra para as sessões de pilates, as aulas de arranjos florais, os passeios com Freud, o golden retriever do casal, e o preparo das refeições gourmet de que tanto gosta. Jodi ainda fica ansiosa ao ouvir a chave do marido abrindo a porta. Todd diz que nunca encontrará uma mulher igual a ela. Essa fachada perfeita, porém, está prestes a ruir. Todd é um adúltero incurável, e Jodi sabe disso. Ela é a esposa silenciosa, preparada para tolerar as traições do marido com o intuito de manter as aparências. Até que Todd sai de casa - para viver com uma mulher com metade da idade dela, filha de seu melhor amigo. Magoada, humilhada e, por fim, financeiramente abalada, Jodi começa a contemplar o assassinato como uma opção razoável. Contado alternadamente nas perspectivas dele e dela, 'A mulher silenciosa' é um livro sobre um casamento à beira do fim, um casal na direção da catástrofe, concessões que não podem ser feitas e promessas que não serão cumpridas. Um thriller psicológico sofisticado, que seduz o leitor desde a primeira página.


  Depois de me apaixonar pelo suspense psicológico com a leitura de livros de Stephen King, Gillian Flynn e Paula Hawkins, me deparei na livraria com “A Mulher Silenciosa”. Não fui conquistada pela capa, mas a sinopse me intrigou, me remetendo à “Garota Exemplar”, que é um dos meus livros favoritos. Um livro muito conceituado por jornais, autores famosos e a crítica em geral. Não deu outra, comprei.
  Narrado em terceira pessoa, mas intercalando os pontos de vista de Jodi e Todd, mergulhamos com profundidade nessa história tão refinada, numa melodia de palavras minuciosamente selecionadas que despertam o fascínio do leitor. Aliás, de leitores, nos tornamos telespectadores íntimos, como se tivéssemos inseridos naquela realidade, sentindo cada respiração dos personagens e absorvendo seus dramas.
  Aprecio livros assim, onde a construção é tão benfeita, que temos a sensação de viver a história e não ter a consciência da nossa própria realidade. Com uma trama muito bem escrita, peguei-me admirando o jogo de palavras, suas metáforas e a linha de narração. É mais que uma história, é uma obra de arte em que palavras tornam-se Monalisas, personagens tornam-se Gritos e leitores tornam-se visitantes de uma exposição de arte.
 “Uma revolução está ocorrendo dentro dela, como se a experiência de uma vida inteira pudesse ser superada no tempo de uma conversa. Como uma cobra mudando de pele, ela se livra de sua inútil rebeldia, da patética inocência e da sensação de não estar páreo – alvo de uma piada jurídica”.
   A relação de Jodi e Todd é realista. Algo semelhante poderia acontecer com o seu vizinho, seu parente ou com você. Um casamento que ao longo dos anos vai perdendo seu brilho, ofuscado por desequilíbrios, tempestades, opiniões reprimidas e monotonia. É inevitável o questionamento de quem nos tornamos ao longo da relação, quem realmente é o nosso companheiro e como somos engolidos por uma rotina tão enraizada, confortável e de falsas atitudes.  
  A contracapa já diz que Jodi matou Todd. Mas o mistério do por que disso é o motor dramático principal. Não conseguimos largar a leitura. Somos apresentados a personagens secundários necessários, como Alison (amiga de Jodi), Natasha (uma das amantes de Todd) e Dean (grande amigo de Todd). “A Mulher Silenciosa” é um retrato dos relacionamentos modernos e da psique humana colocada à prova de fogo em meio às situações desesperadoras. A autora insere seus personagens num ringue de luta repleto de caos, sangue e feridas. O leitor vibra, sem fôlego, ansiando descobrir quem conseguirá sair ileso. “Perdida em um deserto, você bebe a água contaminada que sua amiga está lhe oferecendo. Fatalmente doente, você se entrega nas mãos do cirurgião. Os prós e os contras já não contam. As opções se esgotam. O que está em jogo é a sobrevivência”. Nenhum personagem é bom ou mau, suas atitudes são modeladas pelas circunstâncias. E o ser humano é realmente assim, não é? E é essa complexidade psíquica e o desenvolvimento de maiores traços de personalidade que eu sinto falta em alguns livros.  Na história, caráter e ética são pilares duvidosos. Nada parece o que é. Banhados por dramas, Jodi e Todd lutam no ringue. Seus passados são expostos e vamos entendendo as raízes de quem são.
  Vale destacar o passado de Jodi. Psicóloga, é interessante acompanhar sua profissão, seus pensamentos, alguns conceitos da área e como ela lida com seus pacientes. Além disso, ronda um mistério sobre suas origens e sua família e o leitor ganha uma grata surpresa.
  Apesar de todo encantamento que o enredo proporciona, das surpresas colocadas estrategicamente em pontos chaves e reviravoltas, a caminho do final, muitos pontos ficaram em aberto, pontos estes que comprometeram minha avaliação da obra. Não me entendam mal, é interessante e aprecio muito o leitor ser visto como um ser pensante e não ter tudo mastigado pelos autores, dando a chance dele pensar criticamente por si só. Porém, com tantas questões em aberto, ficou difícil ter um entendimento maior da história e suas consequências.
  Questões específicas me deixaram em dúvida, porém, eu mesma imaginei o que poderia ter acontecido e o final ficou fechado na minha cabeça. Ademais, o casal foi interessante, mas não me despertaram o fascínio e empatia que Amy e Nick de “Garota Exemplar” tinham.
  “A Mulher Silenciosa” é um ótimo livro, mas compará-lo à “Garota Exemplar” me fez ter expectativas demais que não foram supridas. Porém, eu adorei esse livro, com certeza tenho vontade de ler novamente. Tanto pela linha do roteiro, pela escrita afiada e pela complexidade psíquica. Uma história envolvente, que te marca e faz você refletir sobre os mistérios da sua mente, sobre o amor, a vida e as relações humanas.
   Aclamado pela crítica, é uma excelente trama. Uma pena que a autora faleceu em 2013. Ela trabalhava em um novo thriller psicológico que com certeza eu lerei. Recomendo,
Carolina Belisario.


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2 comentários

  1. Ótima resenha!
    Pelas criticas negativas, tive certo receio de comprar o livro (apesar de ter achado a sinopse atraente). Sua resenha me fez decidir dar uma chance!
    Ainda não li garota exemplar, mas pretendo muito coloca-lo na lista de janeiro. Espero que dessa vez eu consiga ler rs

    Abraços!
    http://lupiliteratus.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Oi, Fabio!!! Espero que goste das leituras!!!
      Abraços.

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